Do precisa um time? Do que precisa o Atlético Mineiro?
O Atlético tem a massa, fanática e incansável, cantadora e sonhadora. Preta e branca, sempre presente. Tem Galoucura, tem Netgalo, dentre outras.
O Galo tem milhares de Josés, Antônios, Marias e Joaquinas.
Tem Thiagão,Thiaginho, e vários toms de Thiago.
Tem Daniel que não fica calado.
Tem Serginho e João Filho, filha, irmão e pai.
Tem Francklin, tem Milena, Alena e Renato Pena.
Tem Allison e Igor. Tem o que vos escreve e meu filho.
Nunca teve meu pai, mas ele eu comparo com Tostão, tinha que ser assim. Tem minha mãe. Tem Cicarelli, tem metade do Skank e Wilson Sideral.
Temos Milton Neves.
Tinha Roberto Drummond.
Temos a massa (não o biscoito fino). Temos a bandeira de duas cores básicas. Temos glória. Temos grito de “Galôôô” até as 3 da manhã, após jogo no Mineirão.
Somos massa em BH, Contagem e Betim.
Massa somos na Serro do Cipó, Conceição e Itambé do Mato Dentro, Milho Verde, Serro e Diamantina.
Somos massa histórica em Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tidadentes e São João.
Massa no Circuito das Águas, no Cirtuito do Ouro.
Somos massa em Araxá, Uberlândia, Campos Altos e Uberada.
Somos Galo (leia-se, massa) em Ipatinga, Timóteo e Coronel Fabriciano.
Somos Galo em Governador Valadares, Caratinga e Manhuaçu.
Somos massa em Juiz de Fora (lá, os cariocas tentaram dominar).
Somos massa em Teófilo Otoni e somos massa em Nova Era, João Monlevade e Roças Novas.
Todas as roças, fazendas, chácaras e sítios, somos massa.
Somos massa nas cachoeiras de Minas. Nas praias que não temos, e nos bares que bebemos.
Temos o galo nos Estados Unidos, Na Europa e Japão.
Mas, o que falta ao Atlético? O que falta á massa que somos?
Faltam nomes?
Faltam craques?
Faltam estrelas. Sim! Repito, faltam estrelas.
Não aquelas estrelas que colocamos em cima do escudo, no peito orgulhoso.
Falta-nos as estrelas de outrora.
Falta-nos Dario, Humberto Ramos.
Falta-nos Laci, Tião (Romeu) e Mussula. Ahn, se Mussula não fosse Mussula Tostão teria marcado naquele 2 X 1 que fizemos no Brasil, em 03/09/69. (Tudo bem, o galo usou camisa vermelha naquele jogo, mas por baixo os jogadores tinham a alvinegra)
Falta-nos Tafarel, Renato e João-Leite (Tafarel era santo? João Leite era de borracha?).
Falta-nos Éder, Luizinho. Falta-nos Nelinho e Palhinha.
Falta-nos um técnico-líder, como Yustrich. Falta-nos um técnico-gênio, simples e tranqüilo, como Telê.
Falta-nos Cerezo coração do mundo, coração de todos.
Falta-nos Reinaldo e 28 gols em 18 jogos no brasileiro de 1978, sua mei-bicicleta e a demonstração de que pode fazer um homem, ainda que caindo ao chão.
Falta-nos Ângelo e Ziza, incansáveis. Falta-nos Marcelo e Paulo Isidoro. Falta-nos o capitão Oldair
Falta-nos presidentes como Elias Kalil. Falta-nos diretores de futebol como Nery Campos.
Aonde estão todos eles? Onde se encontram que não nos deixam encontrá-los? Por onde andam, ou por onde jogam esses craques, essas estrelas? Esses heróis?
Eu digo. Andam escondidos na ganância de nossos dirigentes, terríveis cartolas. Andam perdidos pela falta de apoio às categorias de base e á meninada. Aquele apoio que o Rei Reinaldo recebeu, quando aos 16 anos despontou no Galo.
Precisamos (sim, precisamos, nós, a massa, os Josés e Marias atleticanos, o Galo) é de pessoas sérias na frente desse time, que, como diria o cronista, chega a confundir com religião.
A massa torce contra o vento, mas nossos atuais dirigentes têm interesse diferente da massa, esses não podem fazer parte do Glorioso Galo das Minas Gerias.
Bruno Sérgio